quinta-feira, 24 de março de 2011

Sobrevivência e Paixão

Surge-me uma questão: Se um ser vivo quando nasce os seus dois principais objectivos são, biologicamente falando, a sobrevivência e a geração de descendentes, porque é necessário haver paixão?

Não seria mais simples não existirem sentimentos de paixão? O ser humano perde tanto tempo com questões sentimentais, desgostos amorosos, amores não correspondidos, amores mal concretizados, dores e dores de cabeça, bem como paletes e paletes de chocolates!
Quando estamos apaixonados quanto tempo, mas quanto tempo meus senhores, nós perdemos a imaginar, sonhar, fantasiar e, eventualmente, a conquistar o ou a dita cuja!? Quanto? Quanto?
Não bastaria simplesmente conquistar? Sim, apenas conquistar, como fazem outros animais, que simplesmente demonstram os seus dotes de cortesia e acasalamento. Depois... truca truca e basta! Porventura cuidam e protegem os filhos. Mas e a paixão? Que é feito da paixão, se é que esta existiu realmente!!?

Bem, segundo sei, a maioria dos mamíferos são poligâmicos, ou seja, têm uniões reprodutivas com vários indivíduos de uma espécie (pensem no vosso boby ou garfield, eles até têm um amiginho ou outro preferido, mas elas quando estão com o cio, ou eles farejam alguma com o cio, esqueçam, é o que vier à frente!)
Quanto às aves creio que a generalidade possui comportamentos monogâmicos. Não é à toa que se costuma dizer que os casais apaixonados são uns "pombinhos"!!!

Então mas porquê? Porquê?
Isto faz-me confusão, mas regra geral os homens tendem a ser poligâmicos e as mulheres monogâmicas! Mentira?
Porra, eu sinto-me completamente monogâmica, mas vivo num mundo onde a realidade é a poligamia. Mais: num mundo poligâmico onde envolvemo-nos emocionalemente!!!
Isto simplemente é contrasensual!
Pior: perdemos imenso tempo e desgastamo-nos à procura - ou à espera! - do pombo ou pomba com quem iremos deixar descendência com as características mais favoráveis geneticamente. Ops, perdão! Do pombo ou pomba que nos fará feliz para sempre, quer na saúde ou doença, até que a morte nos separe.
 
A verdade - antes de avançar deixem-me relembrar que a verdade dói! - mas nós mulheres, por norma, investimos muito mais na escolha de um parceiro (tem de ser aquele... aquele com aquelas características genéticas, que vou passá-las a enunciar: 1,78/85 m, 80 kg aprox., em forma q.b., moreno, olhos castanhos misteriosos, barba por vezes mal feita, seguro e confiante, trabalhador e bom amante). Enquanto isso passamos por imensos degostos amorosos, diria até que na maior parte das vezes nós, mulheres, passamos por degostos amorosos durante uma vida inteira, mentira!?! Mas enfim, nós investimos tanto na escolha de um parceiro e na nossa maternidade. Inclusivemente, as nossas células sexuais, os óvulos, já são bem maiores que os espermatozóides, bem como as nossas ancas ou a simples existência de mamas proeminentes! Nós temos um relógio biológico que faz tick-tack tick-tack a partir dos 14 anos, certo? Aos 20 anos o relógio começa a fazer tick-tack com mais barulho. E aos 30? Bem, não quero imaginar, mas acho que ganha corda com 3 vezes mais de velocidade!!! 
 
Por outro lado temos os homens. Os homens... bem que poderiam ser uma espécie à parte em vias de extinção. No fundo, o que eu desejava era que com o decorrer da evolução humana, a mulher não necessitasse definitivamente do homem para se sentir feliz e concretizada. Apenas para ter filhos! Sem paixão nem desgostos. Deconhecimento total do que fossem esses sentimentos.
Mas estou a dispersar-me. Retornando à caracterização do homem. Ora, sem querer ofender, diria que existem dois tipos de homens:
 
Tipo nº1: Poligâmico.
Este dito cujo é aquele que não necessita de investir muito em deixar descendência. Ou seja, é aquele que tende a "pinar" sempre que houver oportunidade (é o boby da esquina que se dá com todas que abanem a cauda - ou melhor dizendo, o rabo!). Este tipo, se não mesmo vagabundo, com quantas mais gajas estiver melhor o seu ego. Mais ego, mais confiança. Mais confiança, mais gajas o querem.
Mas aqui é a parte em que somos "burrinhas" pá, porque lá está, associamos a confiança a uma melhor sobrevivência, e consequentemente a uma melhor descendência. Mas são os nossos institos, novamente biologicamente falando, que "falam" mais alto.
 
Tipo nº2: Monogâmico.
Um homem só é do tipo nº2 quando não consegue ser do tipo nº1, poligâmico! Ou seja, só o é quando as estratégias poligâmicas falham. Aí ele pensa duas vezes, "mais vale uma pássara na mão, que duas a voar".
 
Mas agora, eu tenho uma grande pergunta para o tipo nº1: Mas tu não te apaixonas???
Ou será que só te apaixonas quando a dita cuja não se deixa cair nos teus cortejos e estratégias de acasalamento? ...
E já agora, será que essa dita cuja estará disposta a aceitar um galo que já saltou em demasiadas capoeiras? ...
 
Bem, retornando (porque para não variar... tenho um trabalho urgentíssimo para entregar!!! Típico!), a paixão parece que surge para atrapalhar as nossas estratégias de acasalamento. Até que ponto são úteis para a nossa sobrevivência e das nossas crias.
Na verdade, nós normalmente não desenvolvemos grandes paixões pelo tipo nº2, nem muitas das vezes sabemos dar-lhe o devido valor. Contudo, até que ponto o tipo nº2 não se transforma no tipo nº1, ou pior, este simplesmente está camuflado no tipo nº2 que na sua esseência é do tipo nº1?!
 
Do que servem as paixões? Quais são os outros animais que demonstram paixão por aqueles com têm uniões reprodutivas?
Se existem esses ditos animais, porque é que sentem esse sentimento?
Não será por acharem que uma fêmea não tem capacidades suficientes para proteger as suas crias e sente necessidade de estar com ela para ajuda-la.
Contudo, isso continua a não ser a paixão... a paixão que tanto se quer sentir "para o resto da vida" quando estamos apaixonados...
Última questão, última garanto: Como surge a paixão em termos evolutivos? Expliquem-me!! Ou será a resposta para esta questão uma pequena maldade evolutiva. Simplesmente serve para unir eficazmente uma espécie que se afirma ser monogâmica, mas que na sua essência é completamente poligâmica.

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